Tenderly

De Ken Law

De Ken Law

Depois daquela viagem sem legenda
Ainda bêbada de ar
encontro você
me esperando numa paragem insólita
de placas avisos números
e pessoas a ponto de
sempre atrás da vida

As ruas tinham um gosto diferente
A novidade dobrava
cada lugar dos meus olhos
a primeira comida
Ali eu inaugurava alguma coisa

A rua, o hospício dos belos jardins
(passear nos dias de invenção)
aquele bar com um velho
tarado sempre na porta
o quarto-escritório, a casa-lixo

Num átimo, os dias se tornaram
um grande alarido de suscetibilidades
Os gestos de repente eram
torrenciais, caudalosos
O improviso regia os expedientes
de uma vida que cabia numa ilha deserta

Os ratos, as lojas de inutilidades úteis
os ônibus que levavam
os loucos de realidade e os de sonho
o metrô, teatro da apatia pública
onde se podia ser de tudo:
triste, cool, bêbado, leitor, apologeta

A cidade ia desenhando a si mesma em mim
Retroalimentação a pulso
E eu ia num sem saber
sem método, sem esboço

Pegar na tua mão e seguir
era tudo o que se podia fazer
Ilha dos meus pesares
cujo farol tanto iluminava minhas penas
que me cegava

Hoje, não dói o que me tragou
nem o improviso dos meus dias
mas a flor do nascimento
o olhar de começo
a iniciação nos gestos
que só tem quem ignora

[ Fonte: http://www.combustus.com/13/ken-law-outsider-artist/%5D

[ Ken Law: http://www.kenlawartist.com/ ]

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